Adoro ir na casa da minha tia - e ficar com ela e a filha numa conversa sem fim - com muito café, muita coca-cola e cigarro. Sentamos numa mesa redonda e falamos de como estão nossas vidas, de como é nosso trabalho, de como vemos o mundo - o de verdade e o da redes sociais - e rimos e choramos a bessa na solidariedade de mulheres que sentem apoio moral uma nas outras. Acredito que a troca de afeto do ouvir conta muito mais do que a conversa fora que jogamos, mas ainda assim, é um programa que eu adoro, e por isso, me extendo nele e demoro a voltar.
Venho embora de taxi. Então nesta quarta-feira peguei um taxi as 03h26 da madrugada. E no percurso prá minha casa o telefone do taxista tocou: uma mulher falava muito alto e perguntava quando ele ía busca-la - ele respondeu "estou indo levar uma cliente e depois lhe pego como o combinado as 04 horas" e desligou.
Eu não me contive na curiosidade: "a patroa?" ele respondeu "não uma cliente" eu insisti "a essa hora... puta?" ele respondeu "vou buscar ela na Boate X toda quarta-feira, esse horário... deve ser né?" eu disse "bem, é você que vai buscar, fiquei curiosa: como é?" ele disse "bem, ela é uma moça linda - e eu pego ela de dia também: sabe... naquela loja de presentes lá da rua tal: ela é gerente... de dia é uma educação que não acaba - mas de noite, tem dias como hoje que parece uma maluca. Mas eu não julgo ela tem um filho e sustenta a mãe - e na noite ela ganha por dia de 2 a 5 mil: mais do que ela mesma tira no mês. Mas fico intrigado porquê esse dinheiro dela não dura - nunca dá prá nada, parece até que dinheiro sujo não presta, a senhora não acha?" - concordei, cheguei a meu destino, paguei a corrida e desci do carro.
Cheguei em casa pensando entre 2 e 5 mil é o que eu ganho trabalhando de segunda a sábado: ralando muito - esticando o dinheiro para pagar as contas e me pagar uns mimo, essa minha prima e essa minha tia - também: nos encontramos prá conversar - e lamentar que estamos solteiras - e quebrar a cabeça sobre o por quê é difícil que um homem se interesse por mulheres que trabalham e parecem ser inteligentes. Por quê? Você poderia dizer: elas devem ser feias, ou gordas ou ou ou... não - são mulheres normais: magras, bonitas e até inteligentes. Mas aprendi que não é bonito nem modesto afirmar: sou linda, inteligente e trabalhadora e na minha família as mulheres são assim: lindas, inteligentes, trabalhadoras e se empenham em não mostrar - pois não seria modesto nem elegante.
Enfim: dizem que isto assusta os homens: deve assustar: pois eu, minha tia e minha prima - mulheres de 3 gerações distintas estavamos acompanhando uma a outra enquanto MUITOS HOMENS estavam acompanhando essa mulher que estava numa boate e iria prá casa no mesmo taxi que eu.
Essa prostituta também tem família. Tem dois trabalhos. O trabalho dela como gerente não permite que sustente ela, o filho e a mãe - ela sai dançar numa boate onde se prostitui e ganha duas vezes o salário em uma noite. E está sozinha.
Conheço outras mulheres - que diferente dela - se casam e separadas ou não: arrancam o dinheiro do próprio marido e se divertem transando de graça em noitadas muito mais animadas do que a dessas dançarinas de boate - ditas as profissionais do sexo.
Fiz um texto falando dos dois tipos de mulheres - as santas e as putas. Onde as santas se martirizam e as putas se divertem. É literal: mesmo uma prostituta pode ser uma santa, e mesmo uma mãe de família pode ser uma vadia.
O que me pergunto é porquê tantas mulheres honestas, bonitas, que trabalham e tem o seu dinheiro estão sozinhas. Por quê os homens de hoje - do ano de 2013 ainda procuram a prostituição. Por quê esses mesmos homens - ou outros escolhem o homossexualismo. Por quê apesar de tanta tecnologia no mundo a moral do homem hoje é tão execrável?
Digo tudo isso porquê acredito no amor, no desejo e na fidelidade. Acredito que apesar de estarmos num mundo onde o ser humano se apresenta como um animal - ainda aja espaço pro romance e pros românticos - mesmo que o preço disso, seja discutir com outras mulheres a possibilidade de um homem integro e de valores existir, na mesa da cozinha com outras mulheres: como se fosse uma possibilidade de uma descoberta remota de ciência avançada: encontrar alguém especial para dividir essas madrugadas. E que não seja na cozinha, nem na boate nem num beco sem saída.
Neste nosso mundo ainda deve haver gente que seja gente e encare uma relação com padrões de civilização.
Que as mulheres não precisem ser santas ou heroínas onde o sexo esteja longe de suas vidas, negando a possibilidade de dividirem o que tem de mais íntimo que é o corpo. Que as mulheres tenham dignidade. Que as mulheres saibam de sua beleza e possam sabe-la em seu favor, sem tanta humildade nem tanto orgulho, na medida certa. Que as mulheres possam trabalhar pois precisam ter uma produção no mundo que não seja apenas seus filhos - para que ela mesma possa deixar que seus filhos cresçam e vão para o mundo tranquilos: viver suas próprias vidas. Que as mulheres saibam que um homem é um companheiro e não um rival, e nada a mais que um diferente que completa e enriquece a vida. Que as mulheres passem valores de vida e amor para os seus filhos, para que cresçam humanos e constituam novas famílias para que o mundo mude, para que o mundo cresça pois só os seres humanos falam e transmitem o que vivem...
Que as mulheres não precisem ser prostitutas para oferecer o próprio sexo onde apenas o orifício do próprio corpo possa interessar a outros homens negando a possibilidade de dividir o que tem de mais íntimo que é o corpo: porquê quem oferece é a uso - e então não sobra mais que um objeto. Que as mulheres não se aviltem pois está na mulher o princípio da vida - e um ser humano criado do nada pode ser um nada que voltará a isso. Que as palavras tenham o valor de prece e mudem o mundo, porquê o mundo precisa de mudanças, e quem faz as mudanças somos nós mesmo - com nossas palavras, nossos sonhos, nossas atitudes e nossas relações: que compõem o cenário em que vivemos.
Que as mulheres possam ter um homem - um companheiro - para dividir a vida e tudo o que existe de mais íntimo como o próprio corpo - numa relação de amor, equilibrio, bondade, evolução: pois isso gera a vida: os bebês e a continuidade da civilização. Para que o mundo seja mais mundo e as pessoas sejam mais gente. E para que nesse cenário onde existe respeito e vida: todos possamos ser mais felizes. Pois ser feliz é estar em paz e isso começa em cada um, em cada dois, em cada família e prá frente.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
sobre gente folgada e cadeira elétrica...
Há um tempo atrás ganhamos um vizinho aposentado pelo INSS.
Caso é que, a invalidez que ele alega é algum distúrbio psiquiátrico que ele não tem - ou será?
Enfim, a diarista aqui de casa é irmã da diarista dele - e prá ela ele contou como "manipulou" o sistema. Que arrumou uma psicóloga de araque, um psiquiatra de araque e um médico do trabalho do araque para conseguir se aposentar e "viver a vida numa boa".
Caso é que esse 'homem' passa os anos realizando procedimentos estéticos - lipo, pequenas plásticas e essas outras maravilhas que ouvimos falar de clínicas de estéticas. Quando ele está 'liberado' sempre vemos ele chegar ou sair com uma loira linda no seu carrão; e claro, a loira, assim como os seus procedimentos sempre muda.
Ontem vindo prá casa depois da aula de ginástica desci a rua atrás desse indivíduo: olhei de cima a baixo: é um homem alto, com cabelos, e a sua musculatura - como a de seres humanos de 50 anos - está indo embora: não tem gordura, nem musculos. Um homem limpo e bem apresentável de 50 anos - que eu não posso dizer bonito: posto que conheço a sua história.
Bem, sempre achei que ele era um pilantra. Ontem pensei que ele é um tanto débil. Escolheu viver com o dinheiro do estado como uma criança vive de mesada e comprar com esse dinheiro coisas que fizessem dele uma criatura linda: como a sua própria mãe devia achar. Um homem vazio.
É claro: ainda acredito que pessoas assim, como esse homem (que é só mais um neste Brasil imenso) - a sua psicóloga, o seu psiquiatra e o seu médico do trabalho deveriam fritar na cadeira elétrica: débeis ou não. Esse "mundo - mundo - vasto mundo" já não é dos poetas, da ciência ou da civilização; é de homens que vivem como ratos a roer as preciosidades do mundo para deitar e gozar em sua debilidade.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
sobre ser uma pessoa comum...
Embora tenha uma educação diferenciada - assim como uma formação incomum: ainda assim - a vida me permitiu a anonimidade. É - simples assim: uma pessoa comum. E, como uma pessoa comum, tenho o meu trabalho, os meus problemas, a minha "vidinha" - comum. De cada evento de tudo isso que acontece comigo - eu, em minha fantasia - cheia de ideais - fiz uma vida rica de histórias que completam a alma, enchem os pulmões de ar para suspiros e prantos e risadas escandalosas... Isso é o que eu levo. A vida não me permitiu - justamente por esses sentimentos meus - tão meus - tantos e tão intensos que eu ficasse sozinha. Conheci muita gente, e na minha timidez falante fiz contatos e amigos, e digo amigos - das pessoas que passaram e dividiram um trecho da minha vida: onde recebi de coração aberto e participei a minha intimidade. Isso fez com que eu quebrasse a cara milhares de vezes e me sentisse só mais uma vez. Hoje - muitos anos depois tenho um crivo. Continuo me entregando ao meu sentimento e oferecendo ao meu próximo o que tenho de mais verdadeiro que é o que sinto - de peito aberto - mas não mais de frente oferecendo o meu coração a mãos que não conheço... de lado, escolhendo sentir e saber se quem me avizinha merece tudo isso de tão especial que será também uma parte de mim - de uma intimidade que será um dia, uma lembrança ou ainda uma história na mesa da cozinha da casa da minha tia - ou um texto reflexivo neste blogg, ou ainda - um pensamento numa tarde vazia que irá me acompanhar. As pessoas não são assim, acredito hoje, que se algumas não abrem o peito - é porquê dentro deles não tem coração, ou tem coração de pedra ou talvez - um coração tão morto que já apodreceu - e nesse caso, não tem porquê oferecer: e por isso a vontade dessas pessoas de arrancar um coração que pulsa pela vida como o meu. Por isso, hoje cuido mais do meu coração. Pois sou sim uma pessoa comum - que se respeita e tem amor por seus sentimentos e sua vida. Boa Noite!
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
sobre benzedeiras...
Ontem fui ao dentista - e ele atende na rua de uma benzedeira muito antiga, a Dona Rosa, e entre o dentista e a benzedeira mora um "ex". Minha mãe me perguntou se eu nunca mais fui lá: no ex, onde adorava ir tomar café; e na benzedeira, que tinha uma prosa ótima.
Bem, no ex nunca mais fui. Mas ano passado, numa das idas ao dentista fui visitar a dona Rosa. Pense que cheguei lá ela está bem velhinha, até meio cega.
E aí, no meio da prosa ela me pergunta: "você conhece a dona Maria, minha vizinha?" (A mãe do ex.) Eu respondo: "não, não conheço" e então ela completa: "nossa podia jurar que ela tinha vindo aqui falar de alguém que era você que namorou o filho dela - rezei tanto prá vocês dois voltarem - ah! mas não era você... mas um rapaz tão bom, tão bom, uma família de bem, uma mãe tão devotada..."
Minha mãe me perguntou como pude mentir prá Dona Rosa que é vidente e tudo. Respondi: "ah mãe - não sei - mas pelo amor de Deus né? Fui lá rezar por outra coisa"...
Moramos no Brasil - temos benzedeiras por todos os cantos, católicas, espíritas, espiritualistas, enfim: pessoas de Deus. Estou falando dessas mulheres que por um dom se sentem tocadas a orar pela vida das pessoas. Todos nós precisamos acreditar que estamos protegidos, e - se alguém se oferece a nos proteger em nome de Deus: Amém.
E cá entre nós: reza - todo mundo precisa. Se é pelo bem, que mal tem?
E cá entre nós: reza - todo mundo precisa. Se é pelo bem, que mal tem?
sobre as certezas...
As mães podem ser as piores - mas também as melhores pessoas do mundo: afinal se você é filho - sempre será ela que estará assistindo a sua vida de camarote!
Ontem saí com o meu último "ex" - fomos ao cinema - foi ótimo. Ele é excelente companhia, um homem bonito, cheiroso, querido e educado. "Linda o que acha de nós pensarmos em ficar juntos de novo, ir construindo alguma coisa..."
É bom se sentir querida, mas: "ah! Então, pode até ser, mas eu ainda não esqueci que você me deixou em casa em um final de semana que eu tive uma pneumonia e me ligou na segunda prá dizer "putz, final de semana encontrei a minha "ex" e eu fiquei com ela... então tchau!"
Estou carente e sei que ele também está - mas um filme com alguém assim também é uma boa medida. Não tenho idade prá me envolver com alguém que não tenha certeza. Especialmente quando esta certeza eu só tenho de que ele é boa companhia.
Se eu fosse cega de amores, possivelmente nem conseguisse falar com ele de novo. Mas, ele sempre foi meu amigo - antes e depois de qualquer coisa. E honesto - mesmo quando me "traíu" e quis se lançar a outra coisa. Então a amizade vale muito.
Minha mãe sorriu - e disse que eu não deveria nunca esperar ouvir um pedido de desculpas de um homem. E me perguntou por quê eu fui tão rude com ele. Acho que porquê eu também não tenho certeza. Só temos certeza quando nos apaixonamos, e esse relacionamento é sobre outra coisa.
Ontem saí com o meu último "ex" - fomos ao cinema - foi ótimo. Ele é excelente companhia, um homem bonito, cheiroso, querido e educado. "Linda o que acha de nós pensarmos em ficar juntos de novo, ir construindo alguma coisa..."
É bom se sentir querida, mas: "ah! Então, pode até ser, mas eu ainda não esqueci que você me deixou em casa em um final de semana que eu tive uma pneumonia e me ligou na segunda prá dizer "putz, final de semana encontrei a minha "ex" e eu fiquei com ela... então tchau!"
Estou carente e sei que ele também está - mas um filme com alguém assim também é uma boa medida. Não tenho idade prá me envolver com alguém que não tenha certeza. Especialmente quando esta certeza eu só tenho de que ele é boa companhia.
Se eu fosse cega de amores, possivelmente nem conseguisse falar com ele de novo. Mas, ele sempre foi meu amigo - antes e depois de qualquer coisa. E honesto - mesmo quando me "traíu" e quis se lançar a outra coisa. Então a amizade vale muito.
Minha mãe sorriu - e disse que eu não deveria nunca esperar ouvir um pedido de desculpas de um homem. E me perguntou por quê eu fui tão rude com ele. Acho que porquê eu também não tenho certeza. Só temos certeza quando nos apaixonamos, e esse relacionamento é sobre outra coisa.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
sobre o Roque...
Hoje fui prá musculação pensando "eu sempre quis crescer e ser diferente..." e aí lembrei do meu primeiro emprego. Tinha um senhorzinho, de cabelos brancos e cara fechada chamado Roque.
O tal do Roque era odiado, nem sabia bem porquê - achava na época que era porquê não fazia questão de fazer amizades e vivia mal-humorado. Mas toda a vez que alguém precisava saber algo "difícil" - na época não existia o Google mas existia o Roque: todas as pessoas que execravam o velhinho, também íam puxar o saco e pedir prá ele resolver. Um dia tomando um chá - afinal o Roque não tomava café - ele me disse "menina, você me sorri todo dia (falou esboçando um sorriso) você é diferente, mas isso talvez não seja bom..." foi a única vez que falei com ele sem ser PROFISSIONAL.
Lembro de pensar "ninguém gosta do Roque mas que quero crescer e ser assim: de que adianta ser popular e não saber nada: o Roque é o pequeno Buda da aldeia - todos queriam ser como ele..."
E hoje eu sei que as pessoas morriam era de inveja do Roque, porque ele podia dominar tudo mesmo sem agradar ninguém.
O tal do Roque era odiado, nem sabia bem porquê - achava na época que era porquê não fazia questão de fazer amizades e vivia mal-humorado. Mas toda a vez que alguém precisava saber algo "difícil" - na época não existia o Google mas existia o Roque: todas as pessoas que execravam o velhinho, também íam puxar o saco e pedir prá ele resolver. Um dia tomando um chá - afinal o Roque não tomava café - ele me disse "menina, você me sorri todo dia (falou esboçando um sorriso) você é diferente, mas isso talvez não seja bom..." foi a única vez que falei com ele sem ser PROFISSIONAL.
Lembro de pensar "ninguém gosta do Roque mas que quero crescer e ser assim: de que adianta ser popular e não saber nada: o Roque é o pequeno Buda da aldeia - todos queriam ser como ele..."
E hoje eu sei que as pessoas morriam era de inveja do Roque, porque ele podia dominar tudo mesmo sem agradar ninguém.
sobre datas que foram especiais...
Amei dois homens na minha vida. Verdadeiramente e intensamente - como homem - dois.
Um de 14 de julho - falecido em outubro ou novembro (27 eu acho) - apenas tenho mal estar nas duas datas, muito depois eu me lembro que são datas ligadas a isso.
E o outro de 23 de janeiro. Sempre lembro que era aniversário dele. Foram só 3 aniversários dele que acompanhei, mas isso ficou marcado. Fui eu que terminei - em março, última semana do mês, por telefone - infantil. Mas não foi uma relação que permitiu maturidade.
Dois anos atrás liguei no aniversário dele - o vi com uma criança nos braços no clube e liguei à tarde. Perguntei se era aniversário dele e a menina era filha dele - talvez num romper de ansiedade. Ele respondeu que sim: os dois e emendou:
"é meu aniversário, e sim tive uma filha depois que você teve tantos..."
eu respondi:
"puxa então parabéns pelos dois!! Pelo aniversário e pela filha...
Mas, eu, infelizmente - não tenho nenhum filho..."
ele interrompeu:
"está chamando a minha mãe de mentirosa? Ela me contou a cada gravidez que você teve o que era o bebê e de que tamanho você ficou..."
eu:
"nossa, não tive nenhum filho - ela deve ter se enganado... jamais chamaria sua mãe de mentirosa: quantos filhos ela disse que eu tive?"
ele:
"seis, incluindo uma gravidez de gêmeos!"
NOSSA! Nesse momento calei no telefone: esse homem morou muitos anos fora, e ficamos mais tempo ainda sem contato: E MINHA MELHOR AMIGA ERA A MÃE DELE!
Eu digo sempre: MULHER NÃO TEM MELHOR AMIGA. Mas mãe 'né? E o papo que mãe só quer a felicidade do filho? Puxa quando eu olhava esse homem eu chorava de felicidade. A raiva subiu. Me deu vontade de dizer: "é verdade, e o pai deles vende craque, e eu fumo! Então agora tenho que desligar porquê as crianças estão vendendo a mercadoria e eu tenho que passar recolher..." (já que eram umas 19h). Não disse. Engoli seco.
Fui educada e desliguei. Mas fiquei pensando: 'é o tiro saíu pela culatra! Quis tanto tanto tanto... E sabia que a "velha" também queria tanto tanto tanto... e me pús nas mãos dela: e fui esmagada tal um passarinho na mão de criança má...'
Viver não é fácil. Sobreviver é mais difícil ainda.
Um de 14 de julho - falecido em outubro ou novembro (27 eu acho) - apenas tenho mal estar nas duas datas, muito depois eu me lembro que são datas ligadas a isso.
E o outro de 23 de janeiro. Sempre lembro que era aniversário dele. Foram só 3 aniversários dele que acompanhei, mas isso ficou marcado. Fui eu que terminei - em março, última semana do mês, por telefone - infantil. Mas não foi uma relação que permitiu maturidade.
Dois anos atrás liguei no aniversário dele - o vi com uma criança nos braços no clube e liguei à tarde. Perguntei se era aniversário dele e a menina era filha dele - talvez num romper de ansiedade. Ele respondeu que sim: os dois e emendou:
"é meu aniversário, e sim tive uma filha depois que você teve tantos..."
eu respondi:
"puxa então parabéns pelos dois!! Pelo aniversário e pela filha...
Mas, eu, infelizmente - não tenho nenhum filho..."
ele interrompeu:
"está chamando a minha mãe de mentirosa? Ela me contou a cada gravidez que você teve o que era o bebê e de que tamanho você ficou..."
eu:
"nossa, não tive nenhum filho - ela deve ter se enganado... jamais chamaria sua mãe de mentirosa: quantos filhos ela disse que eu tive?"
ele:
"seis, incluindo uma gravidez de gêmeos!"
NOSSA! Nesse momento calei no telefone: esse homem morou muitos anos fora, e ficamos mais tempo ainda sem contato: E MINHA MELHOR AMIGA ERA A MÃE DELE!
Eu digo sempre: MULHER NÃO TEM MELHOR AMIGA. Mas mãe 'né? E o papo que mãe só quer a felicidade do filho? Puxa quando eu olhava esse homem eu chorava de felicidade. A raiva subiu. Me deu vontade de dizer: "é verdade, e o pai deles vende craque, e eu fumo! Então agora tenho que desligar porquê as crianças estão vendendo a mercadoria e eu tenho que passar recolher..." (já que eram umas 19h). Não disse. Engoli seco.
Fui educada e desliguei. Mas fiquei pensando: 'é o tiro saíu pela culatra! Quis tanto tanto tanto... E sabia que a "velha" também queria tanto tanto tanto... e me pús nas mãos dela: e fui esmagada tal um passarinho na mão de criança má...'
Viver não é fácil. Sobreviver é mais difícil ainda.
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