sábado, 12 de janeiro de 2013

sobre timidez...

Fui uma criança falante - sou uma adulta falante...
O que as pessoas não sabem é que essas pessoas falantes como eu, falam prá preencher um vazio e esconder um buraco imenso: são pessoas carentes de atenção que tentam com palavras capturar e envolver um interlocutor, para que ele olhe para a história e não veja os mil defeitos que essa pessoa acredita ter... quanto mais loquaz, mais certa de não ser tudo o que queria ser, mais certa do seu tamanho de ser humano cheio de limitações...
Agora porquê parece exibida uma pessoa que no fundo de si - é a mais tímida de todas.
Timidez é algo que dá tanta vergonha prá quem tem: que se disfarça de falante, prá nunca ninguém saber disso...

sobre um tipo de jornalista...

Hoje encontrei um amigo da época da infância. Ele é jornalista de uma emissora local e tem um cargo ancora de reportagens. Não éramos realmente próximos mas tínhamos uma grande amiga em comum.
Enquanto fazíamos ginástica num sábado a tarde, jogamos um tanto de conversa fora.
Perguntou se casei, disse que não. Perguntou da minha irmã - disse que casou e separou em 3 anos. Ele me disse: eu também, casei e separei em 3 anos - nessa semana entrevistei uma psicóloga que disse que hoje a crise é de 3 anos - com um tom que fazia acreditar que a validade de uma relação nos dias de hoje está "fadada" a isso. Quem é essa psicóloga e pior: por quê ele tomou isso como verdade?
Para amenizar eu disse: "bem, somos de uma geração criada para trabalhar, mais do que se relacionar: estimulada a criar e se criar na profissão - e um relacionamento exige que estejamos dispostos a abrir mão de uma série de coisas da vida individual para ter uma vida de casal..." ele me interrompeu: "nada... imagina: você TEM QUE TER A SUA VIDA - e não fomos criados pro trabalho, fomos criados prá consumo - e para consumir temos que fazer dinheiro". Bem, prá mim ficou claro que fomos criados e educados para diferentes fins... E aí perguntou: "você não se animou a casar depois daquele namorado que morria de amores?" Eu respondi: "ah! Não é todo dia que nos apaixonamos..." ele me interrompeu e disse "mas uma relação não é feita disso... você precisa construir muita coisa..." eu interrompi: "é, mas eu sou incuravelmente romantica, e espero um dia ficar junto e construir uma história por alguém que o meu coração pulse mais forte... porquê de água fria e vida morna o mundo é cheio não é verdade?" - ele se irritou e me deixou falando sozinha. Ok...
O mundo é feito de pessoas assim: que não sabem e nem querem aprender a dividir. Isso é egoísmo e isso mata as relações. Mas então melhor acreditar que "hoje" - as coisas são assim - 3 anos é o prazo de validade, afinal, se tiver que pensar que tem a ver com você e com a sua escolha de parceiro vai dar muito trabalho...
Fiquei pensando, quando era criança pensei em ser jornalista para poder tocar as pessoas com as minhas palavras e talvez, poder mudar o mundo assim. Fico feliz que não tenha estudado prá isso. Não queria ser alguém que dá notícias e não se importa mais: nem consigo, nem com os outros. E que acabou só por não saber dividir - abrir mão - e ainda assim, afirma que "hoje a crise acontece aos 3 anos" em tom de manchete para uma conhecida de infância.

sobre o muro de Washington d.C.



Estou vendo NCIS na tv a cabo: adoro esse programa! E aí a cena com a longa parede em homenagem aos soldados desaparecidos: a fala do personagem na tv é: "quem se vê de frente a esse muro para". E eu penso, é verdade. A morte é o próprio desaparecimento: e isso é permanente. Todos sabemos que iremos, mas ler o nome de seres humanos com uma data de nascimento e uma de desaparecimento ou morte faz você pensar ao que você dedica a sua vida. E a emoção é indescritível. Amei.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

sobre casas alemãs...

Quando era criança e via as construções alemãs de 1900-20, que tem uma arquitetura bem particular ficava bem maluca: dizia: "quando crescer quero ter uma dessas! É igual a casa de bonecas!"
O meu avô tinha um sócio alemão, será que eu tinha entrado na casa dele - não lembrava - mas sabia.
Nos meados de 2000 fui fazer aula de alemão e descobri o que tinha de encanto nesse meu "sonho infantil"- parece que as casas na Alemanha são casas de 3 pisos - que contam com porão e sotão.
Um porão com lavanderia e um quarto de hobbie para o homem e um sotão com depósito e um quarto de hobbie para a mulher. Também tem sala de leitura, de estar e copa cozinha. A maioria delas jardins!

Meu Deus: é isso que eu quero: espaço! Quarto do casal com closet, espaço de leitura, escritório e quartos dos filhos, banheiros e lavabos...

Descobri que os alemães gostam de separar o que eles fazem dentro de casa (pelo menos isso me disse meu professor de alemão) - e eu, diferente de pessoas "malucas" que começam a pensar em se mudar para aquele lugar de sonhos, comecei a imaginar quando teria a oportunidade de ter alguém especial, o homem que o Gordo dizia que ía se interessar por mim... e aí fazer esse lugar de sonho para viver uma grande realidade com ele: em uma casa alemã onde eu seria prá sempre a sua boneca.

saudades do Gordo.













Nesta época do ano sempre fico mais triste.
Acreditava que era uma espécie de "ressaca"das festas de final de ano, nas quais sempre passei sozinha.
Hoje contudo me lembrei de algo muito importante. Dos meus 12 aos meus 21 anos tive um melhor amigo - vou chamar carinhosamente como eu chamava - "Gordo". O Gordo era um rapaz magro, 5 anos mais velho que eu - muito bonito e inteligente - tão só quanto eu. E todos os natais, me ligava e dizia "Gorda, o que você está fazendo? Vamos gastar as calorias do Natal..." E íamos andar em algum lugar, correr, nadar, mergulhar e esquecer que não tinhamos ninguém. No último Natal que fizemos esse passeio ele me disse: "Puxa Gorda - nós não devíamos ser tão amigos, tenho um respeito por você maior do que pela minha irmã... agora nem tem graça: sabia que eu sinto que nunca vou conseguir formar família que é a coisa mais importante no mundo prá mim. A única mulher que eu admiro é você - mas você é A Gorda - minha irmã - minha amiga  - quase um cara prá mim - não vai rolar..." e ele ria muito. Sempre debochava de nossa amizade, pois muitas pessoas faziam insinuações e ele se partia de rir: como fosse um absurdo insinuar que poderíamos ser um casal: eu ficava brava... mas ele gargalhava! E depois eu ria de tanto que ele ria.
Mesmo que prá mim ele também fosse O Gordo - era o meu melhor amigo - meu irmão - quase uma amiga (afinal, como ele dizia: "não se iluda, mulher não tem amiga").
Agora não tenho nem ele - que era a minha única amiga de verdade - e nem amiga.
E como ele, não me interessava deliberadamente por qualquer ser humano - sexualmente - digo.
E por isso estou só - e fico brava com você "Gordo" - que morreu e me deixou na roubada.
Mas escrevendo tudo isso, fico pensando que: se você pudesse me ler agora estaria gargalhando e dizendo que eu sou uma boba e que você nem era tão importante. Que eu estou carente e devia ir procurar algo que me fizesse feliz. Ía dizer: "Não chore Gorda! Chorar deixa uma mulher muito feia e com rugas: aí sim vai ficar sózinha prá sempre..." E eu ía beliscar ele, ou dar uns tapas - merecidos! E ele ía morrer de rir e dizer: "'tá vendo Gorda, você no fundo - apesar de ser meu melhor amigo - é boba e ofendida como qualquer menina! Assim não dá, um dia você arruma um namorado e eu vou sobrar!" E ía se partir de dar risada e eu ía ficar brave e acabar rindo muito dele...
Saudades de você Gordo e do quanto me fazia ver o quanto eu era boba e podia rir disso!
In memorian de você que foi meu melhor amigo e desencarnou em janeiro.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

sobre a preguiça...

Cresci ouvindo o meu pai dizendo que todo mundo era igual - o que separava ou diferenciava uma pessoa de outra era a preguiça. "A Preguiça é a mãe de todos os males: não admito filho preguiçoso!" Meu Deus - somos em 3 - nenhum dos três preguiço, contudo de uma personalidade feroz.
Acredito hoje que a "raiva" que dava dele exigir tanto de mim, hoje eu tenho das pessoas que vivem no macio da preguiça! E veja bem, o mundo é um lugar cheio de preguiçosos, indolentes e criaturas que querem tirar vantagem de tudo... ser-humano é um tanto isso.
No entanto eu não posso! Não devo! Amo tanto ao meu pai jamais o decepcionaria! Acordo cedo, faço as minhas coisas, vou pro meu trabalho, ajudo os outros e estou sempre pronta prá mais uma tarefa: afinal - quem eu mais amo ODEIA PREGUIÇOSOS - e eu não podia ser odiada! Me fiz ser amada PRODUZINDO.
Ainda hoje, nas minhas horas de folga ou de ódio da preguiça do mundo: escrevo. Não posso ficar à toa e desfrutar da preguiça: esse "bem" me foi tirado. Estudo e leio muito também. Contudo, todas essas exigências que foram do meu pai, e as assumi prá mim: pois me exijo muito mais do que ele exigiu, me fizeram uma mulher com uma percepção impar. Ao menos, uma percepção invejável e o desenvolvimento de várias habilidades aconteceu: mas, isso tudo me fez prestar mais atenção a como o mundo é, como as pessoas são e me colocou para me diferenciar e crescer.
Agora na minha vida adulta sei que o que meu pai dizia era mentira, não somos todos iguais. (Nem meus irmãos são parecidos comigo tendo tido a mesma criação...) Cada um é um pouco do que recebe e o que constrói com isso. É um misto de todas as coisas e - a preguiça influencia sim: e de uma forma muito simples ele ensinou isso aqui em casa.
O lado ruim é que as vezes, olhar o mundo feito por Deus em uma semana, com o ser humano se apinhando como cupins nas grandes cidades e querendo tudo prá si e nada pros outros, vivendo o mundo cão onde não se calcula o bem, o bom: pois o bem e o bom não admitem preguiça. Mas o mal e o mau sim: é só dar rasteira, falar mal do outro, denegrir, roubar, trapacear e outros mil embustes - que dão trabalho mas pouco - e aí é só esperar e assistir...
Fico feliz por ter tido um pai que quis outra coisa prá mim, mas fico triste - muito triste, porquê existem poucos pais que querem que os filhos cresçam, e então o planeta é cheio de criança mimada exigindo ser servida e levar vantagem de tudo, com muita preguiça...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

sobre o seu "ex"... sobre se apaixonar...

Eu, infelizmente estive apaixonada - 3 vezes na vida.
A primeira por um homem maravilhoso que morreu.
A segunda por um homem maravilhoso que não ficou comigo.
A terceira por um homem maravilhoso que ainda estou conhecendo...
O que importa é que as duas primeiras - foram dois relacionamentos - na entrada da vida adulta que me marcaram muito: e o mais engraçado é que demorou 12 anos para eu me apaixonar de novo. E desta vez que sei o quanto isso é raro - trato com a delicadeza de quem está frente a uma pedra preciosa... Mas isso é outra história.
Hoje - voltei para academia depois de algum tempo - fiquei 8 anos sem frequentar - depois de encerrar com o meu segundo grande amor. Todas as pessoas em comum frequentavam esse lugar e para mim era penoso olhar para qualquer uma delas. O olhar me perguntando por quê não estavamos juntos mais me condenava: eu tinha terminado - ele era infantil e eu não tive maturidade para esperar que ele crescesse. Me arrependi por ser orgulhosa e nunca voltar atrás por muitos anos - mesmo que não tivesse a idéia clara: amor próprio também cega e só sabia de um mal-estar - tinha esse mal estar que me deixava com vergonha. Na época acreditava que a vergonha era dos outros, hoje sei que a vergonha era de mim. De ser tão orgulhosa. Mas aí está a graça da juventude, ter a coragem de tomar decisões e se agarrar a elas com toda a energia do mundo: e a minha foi terminar aquele relacionamento com o homem da minha vida. Enfim...
Voltando a academia, hoje encontrei muitos amigos dele: desse "ex", aos quais - 12 anos depois - posso tratar com naturalidade e até uma alegria, afinal, foram meus amigos de infância e adolescência e fazem parte da constituição da minha história.
Fiquei pensando comigo, sorrindo ainda: "já não sou jovem, mas eles ainda me olham com o olhar de admiração da juventude - mas eles também não são mais jovens... essa coisa do corpo envelhecer e o espirito permanecer assim, tão lívido, é algo que chega a dar uma sensação de loucura... mas, isso é bom: ainda sou uma mulher bonita - desejável..."
E vim pela rua feliz, sorrindo como uma adolescente, afinal de contas, nesses meus anos de "reclusão"(onde me dediquei a formação científica e ao trabalho) não tive outros homens: vivi um "claustro"- quase como um castigo de ter negado a oportunidade de amar que a vida tinha me oferecido: e isso me fez sentir feia, feia e má. Acredito que o frescor da maturidade e o esquecimento das pessoas que eu era "a mulher do dr. Fulano" me fez sentir uma mulher bonita mais uma vez.
Sem a culpa de ter desprezado o melhor da vida: a possibilidade de estar apaixonada, amando - a mando do coração.